Em um primeiro momento pensei em fazer uma homenagem de dia das mães para a minha mãe aqui no blog, mas depois eu pensei que honestamente não saberia o que dizer. Então, eu só vou escrever coisas aleatórias que me recordo dela fazendo ou dizendo pra mim. Vou escrever como eu queria que ela fosse comigo e como ela realmente agia. Como ela era uma mãe incrível em alguns momentos e em outros, não vamos dizer uma péssima mãe, mas... uma pessoa frágil, que não soube tomar as rédeas de sua vida como deveria e se deixou levar pela saudade, pela amargura, pela fraqueza...

Já vai fazer 4 anos que perdi minha mãe. Ela faz tanta falta. Sinto falta de chegar do colégio e ela estar na cozinha fazendo o almoço e me dizendo o que tinha e me perguntando de como foi a aula e eu dizendo pra ela (o que eu dizia todos os dias) "ah mãe, a mesma coisa de ontem".
Lembro dela sendo carregada pela Gorda e pelo Fred toda vez que ela ia passear com eles... hahah Lembro de como ela sentava no sofá pra ver televisão ou quando ela resolvia passar roupa olhando televisão, da gente olhando Furo Mtv e ela simplesmente adorando o programa! Lembro dela na cozinha, onde tínhamos uma mesa com cadeiras do lado da geladeira e ela ali onde ela sentava (gordinha), fumando o cigarro de cada dia e bebericando o café... Conversando comigo sobre o tempo, sobre meus amigos e sobre o cara da vez. Me dizendo as coisas que eu deveria fazer, combinando o que faríamos na noite que se seguia, se iríamos fazer um churras com a galera ou se só uma janta básica, strogonoff do Thiago ou a lasanha da vó da Bruna ou as comidas deliciosas que o Junior ou a Aline faziam... Nossa preocupação era o que faríamos para o dia se tornar divertido. Porque viver numa casa grande só eu e ela, era muito chato. Gostávamos mesmo quando a casa estava cheia de gente! Gente que gostava da gente. Gente que queria ficar com a gente.
Lembro das vezes que ela caiu na piscina em algumas das festinhas do meu irmão na casa da praia. Lembro dela na varanda só observando os guris bebendo e se divertindo e claro, no final da noite, ela caia na piscina de novo. hahaha
Lembro de como ela se comportava quando íamos em restaurantes ver a Ana e o David tocar, de como ela chorava quando eles tocavam a canção que ela mais gostava, quer dizer, o repertório inteiro. E agora nós que choramos toda vez que ouvimos alguma dessas músicas, como New York New York.
Lembro de quando ela conheceu o primeiro namorado dela depois que meu pai faleceu, esqueci o nome do cara. Depois dele mostrar o verdadeiro (insira o nome do idiota aqui), ela ficou tri mal e mais uma parte da vida frágil dela começou... Mais tarde foi a vez do Chico Aranha, quem não lembra dele né? Fez a vida dela muito feliz, apesar de eu morrer de ciúmes! De ter feito muitas birras e de pedir muitas vezes para ela escolher entre ele e eu. O que ela sempre se esquivava do assunto e sabe que ela era boa nisso? hehe
Aí quando ela estava no auge da felicidade dela de novo, o Chico descobre que tem câncer de boca e depois de cuidar, dedicar tempo e muito amor para fazer com que seus dias sejam ótimos, ele morre. Deixando ela com mais um pedaço do coração despedaçado. A partir daí, tudo piora. Os sorrisos que antes viviam na boca dela, agora só aparecem de vez em quando... Ela vai esquecendo de viver... Os filhos vão crescendo... e vão deixando ela... Ela vai se sentindo sozinha, solitária, sem ninguém para conversar. E só hoje consigo perceber que em parte a culpa é minha... Eu me afastei, fui viver minha vida com meus amigos, fui me divertir e esqueci de levar minha mãe junto... Muitas vezes fazíamos festas com a presença dela, mas quando chegava a hora, ela ia dormir e nos deixava a sós. Às vezes ela esquecia de acordar para a vida e ficava dormindo por dias... Às vezes a mente acordava, mas o corpo não... Ela vivia caindo... Ela estava despedaçada... 
Doente, talvez? O que estava acontecendo? O que ela tem? Por que ela age assim? O que eu faço? Meu Deus! Alguém me ajuda!? Não posso contar para a minha avó. Não posso contar para ninguém. Ninguém vai me ajudar. Vou fingir que sou a ovelha negra da família e vou colocar a culpa em mim. Já sou culpada por tudo mesmo. Sou adolescente ou aborrescente como a mãe chama. Pronto. Tá feito. Agora sou culpada por tudo. Eu bebo e faço merda. Fui eu que quebrei os pratos, fui eu que queimei a toalha da mesa (suspeitas de que eu fumava), fui eu que quebrei a lavadoura de louça, fui eu que quase coloquei fogo no lençol da cama da mãe, fui eu que tomei os remédios e quase morri. Tudo eu. Minha mãe é inocente, ela não fez nada. Era assim que eu me sentia e era isso o que eu fazia. Amigos? Agora não dá, to tendo um chilique aqui porque minha mãe tá desmaiada na cozinha, inconsciente e eu não tenho a mínima ideia do que fazer. Não consigo nem pegar ela no colo pra poder levá-la pra cama. Cara! Cadê meu irmão nessas horas?

Minha vida com ela foi boa e foi péssima em muitos momentos! Tive momentos maravilhosos ao lado da minha mãe! Momentos que jamais vou esquecer e momentos que eu não lembro porque eu era criança demais. Eu ainda era uma menina inocente sem problemas e sem preocupações. Em contrapartida, também tive momentos que desejaria muito esquecer, mas não consigo. Esquecer que um dia eu vi ela naquele estado, esquecer que um dia eu a vi sofrer, a vi chorar... Meu Deus, como dói ver uma mãe chorar e você não puder fazer nada...

Mãe... eu te amo muito e não seria o que sou hoje sem ti, mas... muitas vezes desejei muitas coisas ruins para ti por causa de um NÃO e às vezes até desejei por causa de um SIM.

Eu queria muito que você estivesse aqui comigo, viva, feliz, saudável, sorrindo, me aconselhando, me amando, me dizendo para dar segundas chances as pessoas, pedindo pra mim estudar mais, me esforçar no colégio... etc.

Eu te amo mãe!

Obrigada por tudo!

E desculpa se eu não pude ser aquele enorme pedaço que faltou no seu coração para ser feliz! Desculpa por não ter sido a melhor filha desse mundo, desculpa por não ter te incluído em todas as partes da minha vida. Desculpa...

Sinto tua falta...



<3

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